domingo, 21 de setembro de 2008

Minha garota

Você surgiu num momento de definição, eu considerava a situação em que me encontrava o início de um longo trecho em minha vida. Vivemos almoços, aulas cabuladas e idas ao bar em onde se formava um novo grupo de amigos. Eu supunha encantar-me com os papos legais que surgiam, e apenas com isto. Via esse grupo como algo que manteria-se paralelo ao relacionamento para o qual eu ainda pensava que me dedicaria, mas existia uma força inelutável. Eu passava com ela e seus olhos perguntavam o porque, quase repreencivamente, eu respondia com um "pois é, o que tenho é isso mesmo!". Talvez se não conseguisses expressar-se tão bem com as mãos, não teria me dado conta que já amava vosso toque. Me apoiei em tuas pernas, te encarei refletindo contigo sobre os assuntos da vida e os sonhos(ou a abstensão deles) só restava um cigarro, era seu, você o dividiu comigo, Deidimos ir à pé, tivemos tempo, esta que é a nossa melhor matéria-prima. Então aqueles olhos, agora sem saber me fizeram a mesma pergunta, mas estavam muito próximos, eu já não saberia responder da mesma forma, não, pois eles eram próximos e o ambiente era encharcado e frio, tão proximos, era quente, confortavelmente próximos...

Eu não os via mais, teria que usar os meus, quais desusei pre conhecer-te a boca, que ao tocar a minha enquanto eu conhecia o teu corpo agasalhado, era produzido um efeito complexo aos sentidos, e de descrição impossivel, não existisse a palavra que contém todo esse significado. Desnecessário é usá-la

À minha garota, nada mais que a perfeição(não a quero), apenas minha garota!

sábado, 20 de setembro de 2008

Momentos que quase a "provamos"


Ele decidiu, após mais uma reflexão solitária que não iria mais tentar interpretar a realidade, afinal, os caras da idade dele os quais se conhece não tem acesso a um plano que nem próximo é de um microcosmo pessoal. Quem em sã consciência aos dezesseis anos, em uma sociedade como a “nossa” pararia a questionar uma das verdades enquanto se pode mesclar a todo esse fluxo social tão demasiadamente passivo ideologicamente, ainda que bem dinâmico fisicamente (materialmente, e principalmente inumano!).

Sabia que encontraria alguém em algumas idéias por ai, se escrevesse ele e seu mundo, talvez outro ele e outro mundo. Fazendo-o, me encontrou aqui (defina-se onde) neste espaço:

– Olá cara! – saldei-o – espero não ter o feito esperar. Sei por que anseia, não pude deixar de estar aqui a sua espera!

– Sinto ter hesitado demais a solicitar-lhe ter comigo (voz se inquietando ligeiramente).
Sem pausa ele questionou: “Você está aqui realmente cara?”

– Hum, essa tal realidade! Se tiver a sorte de conhecê-la, me apresente – acrescentou-se um ritmo mais descontraído (matuto) e boêmio na voz – eu reparo nela desde que me criastes, digo, me criaram, a primeira vez! Em que tempo eu não sei (talvez não tenha existido nem no espaço), mas que ela é um broto dos verdes e úmidos!

– É... Eu não sei como dizer, mais essa tal me atraiu também! Talvez eu tenha alguma chance com ela... Que achas?

– Todos têm! Sempre têm! Porém ela, talvez possa ser de um recato tal, que pode te intimidar. Mas se quiser, eu te indico um lugar que ela freqüenta em dias como hoje.

– Não há o que discutir então, é mais fácil para o autor transportar-me pra lá que criar diálogos!

– Vá comigo? – já foi sugerindo – Nós sempre nos divertimos tanto juntos, não existirá forma de não termos êxito no rolê, e no caso de adversidades alcoólicas, a minha casa é logo ao lado do bar!
Era irrecusável: ele ia pagar, eu não tinha que me preocupar com os transtornos posteriores e ainda o bar era cheio de garotas! Como sabia não ter mais que argumentar, recolocou a jaqueta e foi saindo de onde nos encontramos. Eu o segui protegendo-me do frio, copiando sua ação.
O rapaz parecia sentir que um músculo de bombear sangue começara a pulsar dentro dele como nunca antes, exibia muita animação para quem iria tentar uma conversa com tal pessoa não havia nenhum traço que exibisse alguma relevância à possibilidade de frustrar-se. Mas deveria! Ninguém ao menos havia a tocado! Não que eu soubesse!

A causa dos efeitos a seguir talvez tenha sido o acaso, nem pode ser considerada uma causa, ah, contente-se com os efeitos, ou pare de ler isto antes que entre em um conflito (harmonia) como eu!... Bom, voltemos a “narração”, saca só:

Em pouco tempo já estávamos entrando em um bar bem conhecido por aqui. De mesas bem posicionadas, um balcão grande, névoa de tabaco acinzentando-se ao ambiente, o ambiente à nevoa, umas cores que só remetiam-me ao tempo existente desde que foram escolhidas (consideravelmente longo).

Indiquei-a para ele, e, ao que me parece, ele ofereceu uma bebida a ela. Dei tudo por perdido. Pensei que ela acharia uma ofensa a sua pureza, mas eu não a conhecia (e não conheço) mesmo, assim como agora acredito ninguém a conhecera, mas surpreendentemente ela aceitou a abordagem ordinária do meu camarada - sorte de nós três - logo já se ouvia, ao ritmo de uns clássicos de um estilo agora chamado de “rock n’ roll”, coisas a que atribuo o termo de “cantadas”, por não lembrar precisamente. Neste momento, eu estava também “conhecendo uma nova amiga” e se viam uns múltiplos copos vazios em minha mesa, os quais alguém enchera de uísque. Ele estava fazendo progresso, cada vez mais próximo, o que consigo converter em linguagem verbal é que eles estavam dando um bom “amasso”, e que já não entendia mais nada, ou devo dizer: não havia o que se entender?

Uns minutos depois, os dois casais (eu, meu amigo e nossas garotas da noite) se integraram, formando um só grupo de bons bebedores (no sentido de bebermos muito). Então, chegamos a um acordo: “O bar não já não era mais o ambiente ideal pra nós”, como havia uma casa disponível a dois quarteirões, tratamos logo de comprar mais umas cervejas e cambalear pra lá.

O ocorrido durante e depois deste trajeto, mantenho tão distorcidos na memória quanto é nítida a lembrança do momento do meu nascimento (se é que nasci mesmo), não poderia eu nem sequer narrar o que (quase) narrei anteriormente, o que posso afirmar sem sombra de dúvida é que eu o meu camarada “escrevente” estivemos muito próximos, tocamos, talvez transamos com essa garota chamada Realidade, mas não a conhecemos, digo até que ela pode ter sido criada pelo álcool, ou que não foi criada. Corrijo-me com a seguinte colocação:

A realidade não existe se observarmos do ponto de vista no qual se concebe que o homem torna algo real a partir do momento em que acredita que tal coisa o é, o que validaria sua existência (a realidade), porém a palavra se refere, em seu signo, ás coisas que são imutavelmente “reais”. Pergunto lhe: Como se pode interpretar algo tão invariável?

Como se pode ler algo tão subversivo quanto o que escrevi acima?